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NUTRIENTES E EXERCÍCIO
PROTEÍNA: um nutriente essencial para o organismo– Módulo II

A proteína é um dos nutrientes mais populares entre os desportistas e atletas, principalmente dentro das academias, entre os praticantes de musculação que desejam aumentar a massa muscular (hipertrofia).
Neste módulo você vai conhecer mais sobre a importância da proteína para o organismo e qual seu papel no treinamento físico.
As proteínas fornecem os aminoácidos que são essenciais para a manutenção, crescimento e desenvolvimento do corpo. Dentre as diversas funções das proteínas, as mais importantes são:

1) Fornecer estrutura para os músculos, sendo parte vital para todas as células do organismo;
2) Transportar várias substâncias no sangue, como as lipoproteínas;
3) Produzir enzimas e hormônios do corpo regulando processos fisiológicos;
4) Formar neurotransmissores, como a serotonina, que atuam no sistema nervoso central;
5) Produzir anticorpos;
6) Equilibrar o pH sanguíneo;
7) Equilibrar o balanço de líquidos no organismo;
8) Fornecer energia, quando os estoques de carboidratos (glicogênio) estão baixos.

As proteínas são formadas a partir de uma combinação de aminoácidos. O nosso organismo pode sintetizar alguns aminoácidos, mas existem outros que precisam ser adquiridos através da alimentação e por isso são chamados de aminoácidos essenciais.
Existem nove aminoácidos essenciais (conforme mostra a tabela 1.1), os quais são fornecidos por alguns alimentos, sendo a proteína destes alimentos denominada de Proteína de Alto Valor Biológico. Todavia as proteínas que tem deficiência de um ou mais aminoácidos essenciais, são chamadas de Proteína de Baixo Valor Biológico, as quais sozinhas são incapazes de manter a vida ou o crescimento (tabela 1.2).

Tabela 1.1 – Classificação dos aminoácidos
Essenciais (não são produzidos pelo organismo) Não essenciais (produzidos pelo organismo)
Histidina Alanina
Isoleucina Arginina
Leucina Asparagina
Lisina Àcido Aspártico
Metionina Cisteína
Fenilalanina Àcido Glutâmico
Treonina Glutamina
Triptofano Glicina
Valina Prolina
  Serina
  Tirosina

No entanto, a combinação de alguns grãos com certas leguminosas, pode resultar em uma proteína de Alto Valor Biológico como, por exemplo, a dupla arroz e feijão.

Apesar dos alimentos de origem animal serem fontes de Proteína de Alto Valor Biológico, deve-se tomar cuidado para não consumi-los excessivamente, visto que freqüentemente estes alimentos são também ricos em gorduras saturadas, o que contribui para aumento dos níveis de colesterol no sangue. Por este motivo é melhor optar por carnes magras e laticínios desnatados.

Tabela 1.2 – Classificação das Proteínas
Proteínas de Alto Valor biológico Proteínas de Baixo valor Biológico
Carnes vermelhas Leguminosas (feijão, ervilhas, lentilhas, grão de bico, soja).
Peixe Cereais
Porco Nozes, amendoim, castanhas
Aves  
Ovos  
Leite e derivados  

Proteína e Exercícios
Durante os exercícios as proteínas contribuem com 1 % a 2% do total de energia gasta, podendo chegar à cerca de 5 % em atividades mais prolongadas, quando os estoques de glicogênio (glicose armazenada no músculo) estão baixos (artigo “Nutrientes e exercício” - módulo I : carboidratos).
O metabolismo das proteínas resulta produtos como uréia e cetonas que são eliminados pela urina, aumentando o risco de desidratação. Daí a importância de consumir carboidratos antes do exercício a fim de evitar a desidratação e poupar a proteína muscular.

O consumo adequado de proteína também melhora o desempenho no treinamento, todavia o seu excesso não promove a construção muscular, sendo metabolizado no organismo e eliminado pela urina, o que causa sobrecarga nos rins e fígado.

A construção muscular se dá através do trabalho muscular (exercício) onde há quebra de proteína com liberação de aminoácidos (catabolismo), do repouso adequado, onde ocorre a síntese protéica (anabolismo), e com a presença de alimentação adequada. A alimentação estimula a produção de insulina (hormônio responsável pela absorção de glicose), a qual potencializa a ação celular dos aminoácidos promovendo a síntese protéica. O exercício de força é o que desencadeia maior resposta hipertrófica (aumento de massa muscular).

Dentre os aminoácidos envolvidos no exercício, os Aminoácidos de Cadeia Ramificada (BCAA), que são a leucina, Isoleucina e valina, tem um papel importante. Estes aminoácidos essenciais tem função energética, atrasando o tempo de fadiga muscular, além de promover a recuperação das fibras musculares (anabolismo).

A Carnitina, uma substância produzida no organismo a partir da síntese de Metionia com Lisina (aminoácidos essenciais) induz a utilização de gordura como energia (lipólise) durante o exercício.

Necessidades de Proteína
As proteínas não são estocadas no organismo, devendo ser consumidas diariamente a fim de suprir adequadamente o organismo com aminoácidos essenciais.

Vários fatores determinam a necessidade de proteína como o consumo de calorias, visto que se este é abaixo das necessidades, as proteínas são utilizadas como fonte de energia. O nível de treinamento também interfere nas necessidades protéicas. Numa fase de construção muscular, a necessidade de proteína aumenta em virtude da perda protéica ser maior. Mas após um período de adaptação, há uma normalização desta perda, necessitando de menor quantidade de proteína (fase de definição), visto que o treinamento aumenta a eficiência da utilização de proteína.

A intensidade do treinamento também define a necessidade de proteína. Treinamentos mais pesados promovem maior perda de proteína e esta quantidade vai depender dos estoques de glicogênio, sendo menor quando estes estoques estão adequados.

Para aumentar a massa muscular sua dieta deve conter 60 a 65% das calorias diárias em forma de carboidratos e 10 1 15% das calorias diárias em forma de proteínas, o que equivale a 0,8 a 1,5 gramas por quilo de peso corporal. Então se seu peso é 70 kg X 0,8 g = 56 gramas de proteína por dia. Confira a seguir a recomendação de consumo de proteínas por tipo de atividade.

Tabela 1.3 – Recomendação de consumo de proteínas
Atividade Necessidade de proteína (gramas por quilo de peso corporal).
Adulto sedentário 0,8 (RDA)
Desportista adulto 1,0 a 1,2
Atletas de endurance (corrida, triatlon, natação, futebol, ciclismo). 1,2 a 1,4
Atletas de forças 1,4 a 1,8
Adulto formando massa muscular 1,5 a 2,0

Não há nenhuma evidência científica de que o consumo de proteína maior que 2,0 gramas por quilo de peso corporal forneça vantagem adicional, visto que este excesso é eliminado, não sendo utilizado para síntese protéica. Estudos sugerem que 1,5 gramas por quilo de peso, associados a uma ingesta adequada de carboidratos, promovem hipertrofia e perda de gordura corporal.

Mas como saber se estou ingerindo o suficiente? Primeiro você precisa de uma avaliação da sua necessidade calórica que deve ser feita por um profissional nutricionista e então ele fará uma adequação de sua dieta com proteína e demais nutrientes, baseado na sua atividade. Mas para que você tenha uma noção, apresento a seguir uma tabela com a quantidade de proteína em alguns alimentos.

Tabela 1.4 – Quantidade de proteína nos alimentos
Alimento Porção Proteína em gramas
Carne de boi, aves e peixe. 1 unidade média 21
Queijo 2 fatias 13
Leite e iogurte 1 copo 8
Creme de amendoim 2 colheres de sopa 8
Feijão, ervilha, lentilha. ½ copo cozido 7
Ovo 1 unidade 7
Nozes 30 g 6
Cenoura, beterraba ½ copo cozido 1
Batata. 1 pequena 0,5
Fonte: Tabela de composição química dos alimentos. Guilherme Franco. 1992.

Lembre-se que através de uma alimentação balanceada você pode melhorar seu desempenho físico e atingir seu objetivo com saúde e qualidade de vida.

Até a próximo artigo de Vida Nutritiva!



Dra. Luciana Martoni
Nutricionista
CRN - 3 / 6286
Contato: (41)9951-3985 / (41) 243-3739
e-mail: lumartoni@hotmail.com

23 de setembro de 2003

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