OBESIDADE INFANTIL - como lidar com este mal que já atingi cerca de
15% das crianças brasileiras
A grande
ocorrência de obesidade na infância preocupa os profissionais da área
de saúde, visto que vem crescendo tanto em países desenvolvidos quanto
nos subdesenvolvidos, atingindo tanto classes econômicas altas quanto
baixas.
Segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria, na década de 80, apenas
3% das crianças no Brasil eram obesas. Hoje este número subiu para 15
% contra 20 % nos Estados Unidos, líder da economia mundial e também
dos fast-foods.
A causa do aumento de peso na infância se dá por uma combinação de diversos
fatores, como hábitos alimentares inadequados, predisposição genética,
estilo de vida familiar, fatores psicológicos e etnia.
Cerca de 90 % das ocorrências de obesidade infantil é proveniente da
combinação de ingestão calórica elevada e baixa atividade física.
A vida moderna contribuiu para hábitos sedentários, as brincadeiras
ao ar livre foram trocadas por horas sentadas em frente a Tvs, vídeo
games e computadores, sempre acompanhados de guloseimas com alto teor
de gordura.
È importante salientar que o excesso de peso das crianças se deve não
necessariamente a uma ingestão elevada, com grandes volumes, mas principalmente,
a qualidade da alimentação rica em alimentos com alto teor de gordura
e pobre em fibras, sem atividade física suficiente para gastar todo
este aporte calórico. Atualmente as crianças em idade escolar consomem
mais do que o dobro de refrigerante de duas décadas atrás.
A obesidade infantil está associada a conseqüências negativas para a
saúde da criança e do adolescente, incluindo dislipidemias, inflamações
crônicas, aumento da tendência à coagulação sangüínea, disfunção endotelial,
resistência à insulina, diabetes tipo 2, hipertensão, complicações ortopédicas,
alguns tipos de cânceres, apnéia do sono, estatohepatite não alcoólica.
Quadro psicológico conturbado, com diminuição da auto-estima, depressão
e distúrbio da auto-imagem, também está associado à obesidade infantil.
Crianças obesas estão sujeitas à obesidade quando adultas. O risco começa
com o aleitamento nos primeiros meses de vida. Crianças com aleitamento
materno exclusivo até o 6o mês, apresentam o risco reduzido de se tornarem
obesas. Uma alimentação adequada nos primeiros anos de vida é de vital
importância, visto que entre 2 e 3 anos é que se define o número de
células adiposas (gordura) de uma pessoa adulta. Um adulto que apresenta
um número grande de células adiposas terá mais dificuldade de manter
o peso dentro do aceitável, já que todas estas células deverão conter
pouca gordura.
Estudos revelam que 50% das crianças obesas aos 6 meses de vida e 80%
delas aos 5 anos serão sempre obesas. Um adolescente obeso tem 70 %
de chances de vir a ser um adulto obeso.
O ambiente familiar influencia o desenvolvimento da obesidade na criança.
Hábitos de ingerir "fast-food", modificações da composição dos alimentos
com ingestão de alimentos densos, ricos em gorduras, refrigerantes,
porções de alimentos ricos em açúcar com altos índices glicêmicos e
aumento da porção das refeições são hábitos da família que podem levar
à obesidade infantil. Pesquisas demonstram também que a inatividade
da família prediz a inatividade da criança. A atividade física dos pais
influencia a freqüência de exercício dos seus filhos
Não é preciso dizer que a obesidade na vida adulta, associada ao stress
e baixa atividade física é a grande responsável por diversos problemas
de saúde da vida moderna. A aterosclerose é uma doença lentamente progressiva
que se inicia na infância, mas se manifesta só na vida adulta.
É notório que para reverter este quadro, as crianças obesas, ou com
predisposição, precisam ser identificadas e tratadas. E que a obesidade
infantil precisa ser prevenida com um trabalho de reeducação alimentar.
A tentativa de mudanças nos hábitos de vida das crianças obesas torna-se
essencial, promovendo o estímulo para a prática de exercício físico,
assim como estimulando a criança a realizar refeições mais saudáveis
e bem equilibradas.
O tratamento da criança obesa não pode ser isolado da família. Programas
de tratamento de crianças obesas que incluem múltiplos membros da família
têm mais sucesso a longo prazo que programas que incluem somente a restrição
alimentar da criança obesa. Para obter sucesso no tratamento e prevenção
da obesidade também é necessário educar a criança sobre alimentação
saudável de uma maneira interativa, fazendo com que ela participe desde
das compras do supermercado, da escolha do cardápio, até a organização
da mesa de refeições.
Deve-se incluir na pratica diária das crianças e adolescentes obesos
movimentos espontâneos como brincar, correr, saltar, ir andando para
a escola, etc. Iniciar uma alimentação mais saudável e equilibrada e,
se possível, adotar prática regular de atividades físicas programadas.
Assim, estabelecer um incentivo maior para a aderência ao estilo de
vida mais ativo, incluindo esporte e modelos competitivos lúdicos.
A atividade física incentiva o compromisso da criança no controle alimentar
e propicia a melhora da alto-estima.
RECOMENDAÇÕES PARA O TRATAMENTO DA OBESIDADE INFANTIL
* Para evitar que a criança se sinta excluída, prepare as refeições
de modo que todos possam saborear .
* Sirva as refeições nas porções indicadas e colocar os pratos já feito
na mesa e não as travessas para evitar repetições
* Siga as recomendações do programa alimentar e deixe apenas opções
permitidas na geladeira e despensa, para não tentá-lo. Converse com
o comércio vizinho para que não venda refrigerantes, biscoitos recheados,
etc. sem sua permissão. Todos precisam ajudá-lo neste processo!
* Dê maior ênfase ao que ele pode e não pode comer
* Elogie sempre qualquer progresso que a criança venha a ter
* Nunca ofereça a comida como recompensa: "Coma a salada para ganhar
sobremesa", passa a idéia que salada é ruim e sobremesa o máximo.
* O mesmo serve para castigos, caso não coma algo, isto só aumenta a
aversão a determinados alimentos.
* Não brigar ou criticar durante as refeições, para estes sentimentos
não serem descontados na comida
* Desligue a televisão na hora das refeições!
* Não dê espaço para manha, fazendo brincadeiras como aviãozinho ou
cedendo ao primeiro "não gosto disso". Há uma tendência e dizer que
não gosta de alimentos que lhe são novos ou estranhos: provar não custa!
* Não substitua a refeição por lanche ou leite caso ele não queira comer,
ele vai repetir esta estratégia.
* Tornar a ida a uma lanchonete um programão, torna a comida de casa
sem graça
* Oferecer somente opções saudáveis. Ele deve escolher entre fruta e
iogurte e não entre fruta e bolacha recheada
* Envolva-o na seleção e preparo do lanche da escola, ensinado nas escolhas
saudáveis. O envolvimento dele é que vai despertar o interesse.
* variar o máximo a alimentação, para ela não enjoar!
* Colocar uma vez na semana na lancheira o biscoito recheado, sempre
acompanhado de fruta ou suco, e explique que estes alimentos não são
proibidos apenas não é saudável consumi-los sempre. O mesmo procedimento
pode-se ter num almoço de domingo com a família, com seu prato preferido.
Assim ele não se sentirá excluído com tanta comilança. O importante
é orientá-lo para que coma com moderação.
* Dê o exemplo!!
Uma boa semana e até o próximo artigo de Vida Nutritiva!
Dra. Luciana Martoni
Nutricionista
CRN - 3 / 6286
Contato: (41)9951-3985 / (41) 3026-7529
e-mail: lumartoni@hotmail.com